
Bela moça, loira, filha de pais ricos e com ótimo estudo. As semelhanças poderiam acabar por aí, mas ambas estão presas. A notícia de que Ana Paula, uma estudante de Direito, em Campinas, fazia parte de uma quadrilha de assaltantes chocou o país, e as comparações com Suzane, que participou do assassinato dos próprios pais, são inevitáveis.
Acredito que os casos são resultados de algo que notei algum tempo atrás, não sei exatamente quanto, assistindo o programa Altas Horas, na Rede Globo. No programa, Serginho Groisman colocou frente à frente um cantor de Rap, ex-presidiário, e um cidadão que defendia punições mais severas aos criminosos.
O que eu vi foi dezenas de jovens, provavelmente a maioria de classe média, ovacionar o ex-presidiário, e vaiar o indivíduo que defendia a sociedade. Mais alguém além de mim consegue ver aí uma inversão de valores?
O sucesso, entre estes mesmos jovens, de rappers que citam (ou já citaram) a criminalidade ou as drogas, contando a realidade das periferias, como O Rappa, Planet Hemp, Racionais MCs e outros, também demonstra que a violência, mesmo que não seja vivida diretamente, está inserida na vida deles, e, muitas vezes, de uma forma que transforma os criminosos em vítimas.
Nada contra a musicalidade destes grupos, mas é preciso ensinar aos jovens o outro lado da história, e o impacto da criminalidade na sociedade. Quem compra drogas, financia as armas utilizadas pelos criminosos, que amanhã ou depois podem te transformar em vítima.
A publicidade sempre foi tida como profissão glamourosa, apesar do esquema insano de trabalho das agencias em geral. Esse glamour dispertou o interesse por causa das festas, os premios, as roupas; foi tão efetivo que publicidade passou a medicina em concorrência no vestibular da USP.
Só que agora os traficantes e outros funcionários do mundo do crime andam com roupas mais caras, carros melhores e freqüentam baladas mais dispendiosas que os publicitários. Isentando o fator moral da coisa, é só a nova profissão do momento. Triste não?
HEHEH! Tive que ler três vezes pra entender a analogia da publicidade com o tráfico. E você tem toda razão Jess.
quer ver como nos brasileiros temos memoria curta basta a suzane sair da cadeia para posar na playboy ou rervista sexi